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Médico especialista em saúde mental fala da importância do amor próprio para uma melhor qualidade de vida nos relacionamentos

Foto: Andressa Alonso

Vivemos em um mundo, na qual constantemente estamos criando e depositando expectativas. Mas, na maioria das vezes, depositamos no outro, ao invés de nós. E, em sua grande maioria, nos frustramos diante de um cenário, de uma falsa realidade, na qual nós mesmos sonhamos e imputamos ao outro essa responsabilidade. O médico psiquiatra especialista em saúde mental e fundador da Silva4 Treinamentos, Laerte Perez, faz questão de ressaltar a diferença entre criar expectativa e viver a realidade, além de potencializar em nós o amor próprio para um convívio social mais maduro e feliz.

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“As relações afetivas, especialmente quando nós projetamos expectativas nas pessoas, e aqui é importante, quando nós falamos de expectativas, nós lembramos que a expectativa é o oposto da realidade. Nós temos relações afetivas em diversas esferas, na esfera do trabalho, na esfera da sociedade, com o padeiro, com o entregador de jornal, com o atendente do supermercado. Numa esfera menor a família, nossos primos, nossa descendência, nossos amigos, numa esfera íntima, com as pessoas que nós depositamos expectativas. O nosso namorado, namorada, marido, esposa, nosso filho, filha ou grande sócio”.

“Parte do que nós colocamos como projeto ou intenção, se realiza, outra parte fica apenas na expectativa. Então, nós estamos colocando aqui expectativa como as coisas que acredito que irão acontecer e não acontecem. E esse é um ponto muito importante quando nós estamos falando das pessoas do nosso círculo de relacionamento mais íntimo. Vamos usar como exemplo, o nosso cônjuge ou a pessoa que nós entregamos a nossa afetividade. Então, o fato é que, ao nos unirmos com outro ser, relacionando a nossa vida com projetos futuros, nós pensamos automaticamente em expectativas em relação ao outro. Então nós pensamos como é um bom marido, como é um bom sócio, como é um bom filho e isso é na minha visão de mundo, porque é um bom filho ou um bom marido, pode ser diferente em habilidades para mim ou para o leitor. O que é um bom marido e esposa para mim, necessariamente não é para você”.

“E aí automaticamente quando esses itens do que é um bom marido, do que é o bom filho, do que é um bom pai, não são correspondidos, gera uma frustração. Na verdade, eu não estabeleci uma discussão sincera, parar, dialogar e fazer um diálogo franco, uma conversa franca, com a pessoa que eu decido viver parte da minha vida. Quem somos? Para onde vamos? Quais nossos objetivos? E estabelecimento de regras, pactos e expectativas? Sabendo que muitas expectativas não serão realizadas, por exemplo. Quando você consegue ver a realidade no seu entorno e na sua vida. Faça a lista da realidade e a lista das expectativas daquilo que você esperava. Então perceba que aquilo que foi expectativa e não foi realidade gera frustração”.

“É natural que nós tenhamos expectativas em relação às pessoas. Agora o fato é que ninguém pode completar o meu bem-estar. O grande problema é que essa frustração com o outro acaba gerando em mim a não realização de uma completude, ou seja, meu marido, sendo um bom marido, eu serei feliz. Eu deposito no outro uma realização, e claro que somos realizados com relacionamento com um bom sócio e um bom resultado numa empresa, com um bom amigo que eu espero que seja fiel a mim, porém, eu crio uma relação de dependência, porque tudo que não está ligado apenas a mim e a alguém, depende do movimento do outro, da evolução do outro. Então, é por isso que as frustrações se tornam tão pesadas. Porque eu esperava que o meu marido fosse um bom marido para que eu fosse feliz ou mais feliz”.

“E aí entra o fato de você fazer uma discussão interior sincera, entra intrapessoal na esfera de relação consigo mesmo. Por exemplo, por que você não pode descobrir a felicidade dentro de você? Será que realmente todas as pessoas que não são casadas não são felizes? Será que as pessoas todas que sofreram uma infidelidade não conseguem ter felicidade dentro de si? Então nós precisamos observar que as relações são fatos. E que nós temos os nossos vazios, nossos medos, raivas e tristezas. Mas que, ao mesmo tempo, existe uma possibilidade de olhar para mim mesmo e não determinar para o mundo ou para o outro condições que me façam estar melhor ou ser uma pessoa melhor. Buscar felicidade, realização, esperança, coragem, alegria, segurança dentro de mim, compreendendo que sim, eu posso ser muito feliz. Só comigo mesmo”.

Foto: Andressa Alonso/Divulgação

“Uma pessoa bem consigo mesma, claro, se tornará um melhor pai, uma melhor mãe, o melhor filho, o melhor sócio. E entenderá quando as expectativas que são automáticas do nosso cérebro não corresponderem à realidade. Compreenderá que o outro é o outro e está evoluindo. Aquele que já é feliz e está bem e busca isso dentro de si, terá paz e maturidade para compreender que a sua frustração foi por uma expectativa depositada no outro, não condizente com a realidade. Neste momento, a frustração terá muito menos dor ou menor dor.

E assim a pessoa consegue ser mais líder das suas próprias emoções. Lembrando aqui que emoção não se controla, emoção se cuida. Emoção é algo que se cuida dia após dia, através de autodescoberta. Que você possa compreender aqui que a fonte do bem-estar está no intrapessoal”.

“Todos nós podemos chegar em casa, relaxar, tomar um banho, deitar-se, colocar uma boa música e ser feliz e ter paz. Claro que é bom com o outro, mas é muito melhor dentro de você e naturalmente, você melhor vai atrair pessoas melhores, porque quem está bem, em paz, e feliz, não vai se aceitar em sua vida por muito tempo. Pessoas que não estão bem, não estão em paz e não estão felizes e correm o grande risco da sua felicidade. Bem-estar e paz contagiam positivamente as pessoas que estão à sua volta. A vida por fora de nós nem sempre é reflexo daquilo que somos por dentro. Quando nós buscamos dentro de nós coisas boas, porque por fora existe stress e extrema ansiedade nesse panorama mundial, nós podemos fazer da nossa vida interna exemplo para que as pessoas ao meu entorno, os ambientes ao meu entorno possam ser mais livres e mais conectados consigo mesmo”.

“Podemos ter uma melhor qualidade de vida, eliminando a esperança do outro e colocando esperança em si, eliminando expectativas do outro e colocando expectativa em si mesmo, já que você pode muito bem olhar onde está e onde pode chegar e a sua alta expectativa pode se tornar realidade. Descanse, relaxe, tome um banho e reflita nas expectativas que você já depositou nos seus últimos relacionamentos com pessoas importantes e que não se tornaram realidade. E, que o sofrimento, resultou em dor porque você, no fundo, depositava esperança de curas interiores nessa relação. Tenha grande amor e boa relação pela pessoa mais importante desse mundo, que é você!”.

LAERTE EUGENIO PEREZ

Foto: Andressa Alonso

Fundador da Silva4 Treinamentos. Médico, pós-graduado em Psiquiatria, Sub-especializado em Dependência Química e Terapia Cognitivo Comportamental Aplicada (UNIFESP); Professor em Graduação em Psicologia, e Pós-graduação em disciplinas em Neuroanatomia, Neurofisiologia, Psicoparmacologia e Psicopatologia; Aperfeiçoamento médico pela Havard Medical School (Boston/Estados Unidos); Master Practitioner em PNL Certificado pela The International Association for NLP; Trainer Training em PNL; Hipnoterapeuta Ericksoniano pela The American Board of Hypnotherapy; Treinador comportamental, há mais de 20 anos dedicado ao estudo e aplicação de métodos de aprendizado acelerado.