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Bolsonaro disse que se não houver volta ao trabalho semana que vem, ele vai tomar uma decisão

Marcello Casal Jr/Agência Brasil

A Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Ministério da Saúde, defendem a quarentena e o isolamento social como forma mais eficaz para conter a propagação do coronavírus em todo o mundo e no Brasil.

O coronavírus é uma doença nova e desconhecida e tem feito um número assustador de vítimas em todo o mundo. O isolamento social em muitos países tem evitado o aumento do número de contaminação do vírus e o colapso no sistema de saúde.

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Se o número de casos aumentar, pessoas do grupo de risco como idosos e com doenças crônicas como diabéticos, asmáticos, pessoas com doenças do coração e fumantes podem ter comprometimento na resposta imune e lotar o sistema de saúde ocasionando mais mortes por falta de atendimento.

Além do isolamento social, lavar as mãos com sabão, a utilização de álcool em gel, não levar as mãos ao rosto e o distanciamento são medidas fundamentais para combater o aumento de número de casos de contaminação do Covid-19.

Na contra-mão do que vem sendo orientado pela OMS e pelo Ministério da Saúde, Bolsonaro crítica o isolamento social, e se mostra preocupado com a economia do país e com os efeitos negativos que pode causar em seu governo.

Para o presidente, as questões do “vírus e desemprego não podem ser tratadas de forma dissociada” e se depender dele, pretende afrouxar as regras de quarentena.

Bolsonaro pretende “numa canetada” autorizar o retorno às atividades dos comerciantes, que, segundo ele, “levaram uma paulada no meio da testa com as medidas tomadas por alguns governadores”.

O presidente disse que tem projeto de decreto pronto para ser assinado e se for preciso, que considera como atividade essencial toda aquela indispensável para levar o pão para casa todo dia.

Bolsonaro pediu que os governadores e prefeitos revejam as posições sobre o isolamento e que mais prudente seria abrir de forma paulatina o comércio. “Mais prudente seria abrir de forma paulatina o comércio a partir da próxima semana”, disse o presidente.

Ministro da Saúde

Após ser questionado pelo presidente, o ministro da Saúde, Henrique Mandetta disse que está focado no combate ao coronavírus. “Estou trabalhando aqui”.

Bolsonaro disse nesta quinta-feira (2), que eles não andam se bicando e que Mandetta precisa “ter mais humildade”.

O presidente declarou que nenhum ministro dele é indemissível e que se Mandetta de sair “bem”, “sem problema”. Bolsonaro fez uma observação de que o ministro poderia ouvir o Presidente da República um pouco mais em alguns momentos.

O Ministro da Saúde tem apoio de colegas da Esplanada dos Ministérios, como o ministro da Justiça, Sergio Moro, assessor mais popular do governo Bolsonaro e de outros ministros, que tem procurado Mandetta dizendo que vão seguir as suas orientações técnicas na crise — e não as do presidente Bolsonaro.

Outros países

O Japão, que não adotou a medida do isolamento, tem se mostrado preocupado com o aumento de casos e cogita o início do isolamento social. O ministério da economia teme os efeitos mas não desconsidera a gravidade do Covid-19.

Em muitos países, os governantes estão preocupados com a vida, mantendo o isolamento como fundamental, como regra rígida, e em alguns deles pode até ser prorrogado a partir dos próximos dias.

O mundo supera um milhão de infectados e 53.000 mortes. Estados Unidos bate recorde mundial de óbitos em um dia pelo Covid-19. Espanha ultrapassa Itália em infectados. Brasil registra 299 mortes por coronavírus em 7.910 casos.